segunda-feira, 19 de março de 2012

Pintura Corporal Kayapó

A manifestçao estética faz parte da natureza humana, independente de cultura ou etnia o homem desde sempre buscou formas de se fazer mais bonito.Nas minhas férias tive a incrível oportunidade de conhecer um pouco de um povo que adora se enfeitar: os Kayapó/Mebengokre. Fui acompanhar meu marido Fernando Niemeyer, antropólogo e indigenista, num trabalho de campo na Terra Indígena Kayapó, situada  bacia hidrográfica do Rio Xingu, no sul do Pará.


Meninas pintada para festa de iniciação.


Para o povo Kayapó a pintura corporal  é muito mais que expressão de beleza, ela é uma segunda pele que veste o individuo de seu papel social. É como se  a pessoa só existisse para a sociedade através da pintura. A pintura corporal é uma atividade contínua desempenhada por todas as mulheres Kayapó a partir do momento em que nasce seu primeiro filho. É através da criança que a mãe se qualifica como pintora, e através da pintura transmite carinho e  socializa seu filho.

As crianças estão sempre pintadas e enfeitadas.

Durante 20 dias percorri 3 aldeias, e não foi difícil me envolver a cada dia mais com a arte Kayapó. Para fazer a tintura as nires(mulheres) usam o miolo da fruta jenipapo, água e carvão, este último ingrediente serve de guia, já que a nódoa do jenipapo vai escurecendo lentamente, ao aderir à pele. Depois de 2 horas toma-se banho para tirar os resquícios do carvão, ficando só o pigmento preto. A pintura pode durar até 8 dias. A aplicação é feita com um estilete,  de nervura de palmeira ou bambu, e com os dedos da mão direita e apenas o indicador da esquerda. As nires usam a mão direita como palheta, por isso, com muito orgulho, tem sempre esta mão preta, enquanto a esquerda deve estar sempre limpa para servir de apoio.



Meu primeiro dia na Aldei KKK.





O que mais me chamou atenção foram os padrões da pintura kayapó, grafismos extremamente elaborados que representam de forma abstrata: peixes, aves, jabutis, antas, plantas e tantos outros elementos que estão no mesmo nível cosmológico que o índio, já que pra eles o sentido de natureza (ela lá e nós aqui) assim como nós concebemos não existe. A simetria e a perfeição na execução dos traços são bastante surpreendentes. A infinidade de desenhos e estilos também impressiona.



Grafismo e simetria perfitos .



Numa das aldeias fui convidada pelas nires a participar de uma pintura coletiva, a mulherada costuma se reunir em pequenos grupos para se pintar. Quando a Nhankroiti terminou com minha pintura, ela me entregou o estilete e apontou para sua amiga Nhank-È. Gelei. Não esperava que elas fossem me conceder tamanha honra! A generosidade foi o maior aprendizado, mesmo não falando a língua consegui entender um pouco da técnica no uso do estilete para fazer traços mais finos e depois aprendi a usar os dedos para fazer traços mais largos.  O resultado ficou bom, se levarmos em conta que foi minha primeira pintura corporal.



Pintura Coletiva.



Minha primeira experiência: pintura facial usando o estilete de palmeira.




Todas as nires reunidas para a pintura coletiva.
Me sentindo uma Kayapó, tento a mão direita tingida de jenipapo.




Na Aldeia Moikarako a índia Meiti me pediu que fotografasse a pintura de sua neta. Durante toda manhã pude observar todas as etapas que envolvem a pintura corporal, a começar pela feitura da tinta do jenipapo. Como minha mão ainda estava preta e meu marido não tinha nenhum traço de pintura, frequentemente era questionada por que ainda não o havia pintado. Pedi então a uma das índias que fizesse alguns desennhos no papel para que eu tentasse reproduzi-los no Fernando.


Méiti fazendo a tinta com jenipapo e carvão.

Índia Méiti pintando sua neta.



Colocando em prática o aprendizado.



Pintura do peixe.

. A pintura corporal foi só um dos muitos aprendizados que tive durante este mês com os  guerreiros Kayapós. Até ganhei nome: Paingroiti. Fiz amigos pra vida, e eles estão nas minhas melhores lembranças dessa vivência que vai ficar marcada para todo o sempre no meu coração.


10 comentários:

  1. sensacional, amanda! as fotos tão incriveis!
    tudo muito lindo, os indios, as pinturas, a cultura.. e a india pintando a netinha? tudo incrivel! beijos manuela

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. legal se bem que eu estou estudando sobre eles pq esses dias era o dia do indio

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  4. mas foi bom eu ter conhecido esse site pra mim ja pegar algumas informaçoes pra minha prova na escola

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    1. que maneiro! q bom q pude ta ajudar no trabalho da escola, rsrsr... continue acompanhado o belezoca ;) bjs

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  5. ai too precisando fazer pinturas corporais e adoreii o site viio bjs

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  6. Sensacional Amanda, quer dizer Paingroiti! rs. Agora fiquei querendo que você viaje muito mais e volte cheia de vivências legais como esta pra compartilhar com a gente! bjs

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  7. Oi,tem mais edição desse trabalho ou essa é a única?

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